Não quero fazer desta publicação um pedido de desculpas ou uma justificação pela minha ausência prolongada. Aliás, bem mais prolongada do que esperava, até porque houve um milhão de razões para o fazer. E durante todo este tempo desliguei-me um pouco das redes sociais e aproveitei para dar asas a vários projetos pessoais e profissionais, mas também para pensar o que poderia fazer com este espaço daqui para a frente.

Apesar de ter a certeza de que todas as esferas sociais/virtuais estão demasiado ocupadas com imensos projetos a tentar vingar, e que a blogosfera está cada vez mais esquecida pelo facto de que é mais fácil ver um vídeo no Youtube ou ouvir um podcast, a verdade é que eu gosto de andar por aqui, gosto de escrever, de partilhar convosco assuntos vários e momentos do meu quotidiano.

Entretanto, aproveito também para vos dizer que durante todo este tempo pensei, planeei e lancei um novo projeto que vos falarei em breve!

Continuam por aí?


1 + 3 | Gestos que fazem a diferença

Conversar. Amar. Dizer abertamente aos outros o quanto significam para nós. Elogiar. Abraçar. Ajudar um amigo, um familiar ou um colega. Sorrir. Rir até doer a barriga. Brincar. Fazer voluntariado. Apoiar instituições de solidariedade. Oferecer presentes só porque sim. Agradecer. Pedir desculpa. Dizer bom dia, por favor e obrigada. Perdoar.

Poupar. Evitar o desperdício alimentar reutilizando as sobras. Dar uma refeição a quem precisa. Preparar a marmita com o almoço. Não utilizar sacos de plástico no supermercados e reutilizar os que temos em casa. Ser consciente em relação ao ambiente. Reciclar. Reutilizar. Partilhar viagens ou utilizar transportes públicos. Andar a pé ou de bicicleta. Doar livros, brinquedos e roupa que já não usamos. Dar preferência a garrafas reutilizáveis de vidro ou metal. Não comprar em excesso. Comprar melhor.

Ler. Apostar na educação. Apoiar e divulgar negócios locais. Mantermo-nos informados. Pedir ajuda e ajudar. Dizer não. Denunciar a violência e o assédio. Reconhecer os nossos erros. Respeitar os outros, as suas opções, preferências, estilo de vida e religião. Fazer companhia e conversar com idosos. Adotar, não comprar, um animal de estimação. Ser justo. Ter cuidado com a alimentação. Praticar desporto. Estar atento à própria saúde. 


Alentejo interior | Festas populares

Numa aldeia bem no interior do Baixo Alentejo, a cerca de 30kms de Beja e outros tantos de Évora, onde não existem centros comerciais, cinemas ou trânsito. Apenas três ou quatro pequenos cafés e lojas familiares que são locais de reunião das donas de casa, a maioria já reformada e envelhecida, e dos pastores e agricultores que fizeram e fazem dos campos dourados circundantes toda a sua vida.

O Verão, apesar do calor que muitas vezes chega perto dos 40ºC nesta zona do país, também significa o regresso dos filhos, netos, irmãos e sobrinhos que a certa altura decidiram emigrar e ir em busca de uma vida melhor e um futuro mais promissor. Traz com ele também as noites amenas onde as crianças brincam despreocupadas no único parque infantil da aldeia enquanto os pais se reúnem naquele mesmo espaço, discutindo assuntos do quotidiano. Também é hábito, durante estas noites, estar "ao fresco", novos e velhos, sentados à porta dos vizinhos, a trocar dois dedos de conversa até que seja tarde o suficiente para ir dormir, para que no dia seguinte se possa repetir tudo novamente.

O Verão também significa, tal como um pouco por todo o país, o regresso das festas populares, normalmente associadas a eventos religiosos. E estas, para estas pessoas que sempre viveram no interior alentejano, são talvez a melhor parte de todo o ano. Com a família reunida, juntam-se a outras para dar um pezinho de dança e deixar, por instantes, o trabalho do campo, os animais e o tempo para trás. Este fim de semana as festas populares voltam à minha terra e, entre procissões, bailes populares e cantares alentejanos, a boa gastronomia a que sempre fomos habituados estará sempre presente.

Fotografia

Auschwitz, Polónia | Auschwitz I e Auschwitz-Birkenau

Visitar o mais conhecido Campo de Concentração Nazi era algo que queria fazer desde que o tema da Segunda Guerra Mundial começou a despertar a minha atenção nas aulas de História. Foi, em retrospetiva, a visita que mais emoções despertou em mim e o local mais sombrio e desgastante emocionalmente que visitei. Podemos ver todos os filmes, documentários, fotografias, ler todos os livros sobre os Campos de Concentração, e acredito que existam muitos, que nada nos prepara para aquilo que vamos ver, ouvir e sentir. Já imaginaram se fossemos nós a lutar pela sobrevivência naquele local em plena Guerra? Eu não consigo imaginar. O frio, o calor, o cansaço que sentimos nas nossas confortáveis roupas e calçado após várias horas a caminhar passam a ser comparados com aquilo que sentiríamos se estivéssemos esfomeados, com sapatos de madeira e vestidos com um pijama às riscas, de tecido fino e velho, a enfrentar temperaturas de 30ºC ou de -30ºC.

Eu optei por visitar os Campos com guia e, tive a sorte de estar num grupo que respeitou o local onde nos encontrávamos. Acredito que este fator, aliado à forma como a nossa guia nos apresentou a História, determinou de forma muito positiva a experiência que ali tivemos e fez com que a mesma, pelo menos para mim, fosse bem marcante.

O nó na garganta e o estômago revolto começou a sentir-se quando nos começámos a aproximar do famoso portão com a inscrição "Arbeit macht frei" - "O trabalho liberta", em português -, onde em relação a esta há um facto curioso. É que o B foi colocado propositadamente de pernas para o ar por um prisioneiro, de forma a demonstrar a sua revolta e a infeliz ironia que aquela frase carregava.

A visita completa inclui os dois Campos de Concentração - Auschwitz I e Birkenau - onde o primeiro a certa altura era apenas para uso administrativo e o segundo foi construído apenas com a intenção de exterminar milhões de pessoas. E ali estamos frente-a-frente com um dos capítulos mais negros da História. Os números passam a ter um rosto e um nome, também ficamos a saber que apenas uma percentagem, cerca de 25%, das pessoas que chegavam ao campo era registadas e tatuadas, sendo que muitas das que chegavam eram imediatamente levadas para as câmaras de gás, e que três mil foram os portugueses que ali morreram durante o tempo em que o campo esteve em funcionamento.

É difícil olhar para aquelas paredes cheias de fotografias e para outras tantas que abrigam toneladas de cabelo, roupa, sapatos, óculos, e outros objetos pessoais de imensas famílias, de homens e mulheres, de crianças, de bebés... É difícil olhar para os números e perceber que talvez o número estimado seja bem menor que o real. É difícil perceber como é que estas atrocidades aconteceram e não foi assim há tanto tempo. É impossível ficar indiferente, é impossível não sentir um misto de sentimentos que andam entre a revolta, a tristeza, a indignação. Não consigo lembrar-me de um momento que considerasse leviano, mas de tudo o que ali vi, uma coisa me incomodou mais do que tudo: a única câmara de gás que é possível visitar, as marcas feitas nas paredes de cimento por quem ali morreu, em desespero a lutar pela vida.

Continuo a defender que este local deveria ser visitado por todos, primeiro porque com o passar do tempo, a humanidade tende a esquecer os erros do passado e segundo porque atravessamos um momento onde, pelo mundo inteiro, a extrema direita começa a ganhar uma nova força e isto é preocupante. Auschwitz é o local onde se pode ver tudo o que o ser humano já fez de pior, mas o contrário também é possível. Podemos ali sentir a coragem daqueles que ali foram prisioneiros, daqueles que sobreviveram, dos que deram a vida para salvar outros.


Cracóvia, Polónia | Kazimierz (Bairro Judeu)

Kazimierz, considerado o centro da cultura judaica em Cracóvia, viveu tempos conturbados quando, durante a II Guerra Mundial, viu a grande maioria dos seus habitantes ser levada para o gueto de Podgorze. Com o fim da Guerra, também ficou num estado bastante degradado. A sua recuperação só teve início após as gravações do famoso filme "A Lista de Schindler".

Hoje em dia é uma das zonas mais visitadas de Cracóvia, e conta com sete sinagogas, o Museu Judeu Galícia, criado em memória das vítimas do Holocausto e para celebrar a cultura judaica, galerias de arte e restaurantes, sendo esta zona uma importante referência a nível de vida noturna na cidade.

A partir deste bairro, é possível atravessar o rio e visitar Podgorze, o antigo gueto judeu.