Era tudo o que precisava


Esta semana soube pela vida. Ao sair daquela sala de aula, terça-feira perto das 15 horas, tive a sensação de dever cumprido, de alívio. A ansiedade com que andava nos últimos dias, a minha falta de energia e de paciência para passar por mais duas defesas, ter que ver e rever tudo de novo e, verdade seja dita, é difícil voltar a saber estudar depois de um ano a estagiar/ trabalhar. A partir desse dia, desliguei. Desliguei de preocupações, de horários, até mesmo do facto de que tenho que começar a procurar trabalho rapidamente.

Sabe pela vida não ouvir o despertador de manhã, passar os dias com pessoas que nos fazem bem e que precisam tanto destas pausas como nós. De falar sobre tudo e sobre nada, do passado, do presente e do futuro que nos atormenta, de passear junto à Ria e terminar sentadas numa esplanada a absorver tudo o que o sol do Algarve nos dá. Sabemos que Faro ficará sempre para nós como uma segunda casa, aquela cidade que nós escolhemos para estudar, que nos acolheu, que nos fez e faz sentir em casa, com a qual criámos laços fortes o bastante para nunca mais querer sair daqui. E eu não quero sair daqui.

Sabe pela vida passar o entardecer a tirar fotos parvas com o pôr do sol de fundo, jantar ao fim da tarde maravilhosas saladas no rooftop do The Wood's com olhos postos na marina vendo os barcos regressarem a casa, mas depois enfardar um crepe com gelado... Passear à noite sem horas para regressar a casa, porque sabemos que o despertador não irá tocar na manhã seguinte. Foram dias de ronha, de maratonas de filmes e Nestum, de meter as emoções à flor da pele a ver o Euro, porque é a única altura em que todos os portugueses em Portugal e espalhados pelo mundo se orgulham de ser portugueses.

Foram dias para quebrar rotinas, para pensar que nada volta a trás, que o tempo não para, e que o mais difícil ainda está para vir. Porque, pelo menos para mim e por enquanto, a vida tal como a conheço terminou. Não serei mais a Jéssica exclusivamente estudante, mas agora não me quero preocupar com isso. Amanhã talvez, ou no outro dia, hoje ainda não. Hoje é dia de viver o último dia com as pessoas que me fizeram bem, que encheram o meu coração diariamente, porque amanhã... amanhã cada um partirá para as suas casas, sem certezas de quando nos voltaremos a ver, mas com planos de embarcar num avião e conhecer o Mundo.

É nestes dias que percebemos que nos esquecemos que tudo tem um fim, que nada dura para sempre e que as pessoas mais cedo ou mais tarde seguem caminhos diferentes, mas apesar de tudo temos uma vida linda. Infelizmente, esquecemo-nos tantas vezes disto.

Escrito em 16 de junho de 2016

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