De "degueulasse" a "campeões"

"Hoje estou confiante. O nosso capitão vai dar-nos a vitória", disse eu horas antes do jogo. De trás do balcão já saltavam cervejas, caracóis e tremoços, como bons portugueses que somos. O hino soou, tudo de pé, mão no peito, cantávamos. Senti um orgulho tão grande em ser portuguesa, tão grande!

Um jogo sofrido, mais sofrido do que aqueles que lhe antecederam. Estávamos na final! Uma final com um sabor a humildade e trabalho, contra a corrupção, contra a chamada "Operação Platini".

Um jogo que a poucos minutos do início viu o Capitão português lesionado, arrumado pela falta de humildade dos franceses e pela corrupta arbitragem. Milhões a lutarem com armas e canhões nesta página dourada do desporto português, que deveria ser titulada de "Invasão Portuguesa".

As lágrimas de Ronaldo e a passagem da braçadeira para Nani. O São Patrício a fazer o que sabe fazer de melhor, e o Éder, que deu uma boa chapada de luva branca a muita gente, a empurrar aquela bola para as redes francesas. Eu não acreditava, sou sincera, mas como diz o nosso treinador: "O patinho feio tornou-se bonito". Todos naquele campo lutavam pela vitória que pertencia ao Capitão, a todos os jogadores, a todos os portugueses.

Não fizemos um Euro bonito, jogos chatos a maior parte do tempo que acabavam sempre em prolongamento ou penaltis. Descreveram o nosso jogo como "nojento". Não jogámos bonito mas ganhámos o título. Merecemos isto, merecemos sentir-nos os melhores da Europa! Erguemos a taça ao som de Xutos & Pontapés e foi perfeito.

Foi uma lição, uma grande lição: A humildade vence a arrogância.

Ai caraças!

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