Cinema | Inferno


Dan Brown, apesar de muitas pessoas o terem como um escritor "pimba", é dos meus autores favoritos, semelhante ao José Rodrigues dos Santos, uma vez que, na minha opinião, consegue falar sobre temas que estão escondidos ou que, de certa forma, são ignorados.

Em maio de 2013, foi lançado o livro com toda a polémica envolvida, uma vez que se bem me lembro, as traduções para diferentes línguas bem como o texto original ficaram, até à data de publicação, guardados a sete chaves. Desde aí que aguardava pela adaptação cinematográfica de um dos meus livros favoritos do autor.

A grande novidade em relação à história, que notei logo durante a leitura do livro, foi a separação da religião, dando lugar a uma intrigante combinação entre a História da Humanidade, dos humanos no Planeta Terra, com a ciência. Por outro lado, se é dos meus livros preferidos devido à história provocante e enigmática, o filme infelizmente já não foi assim.

A desilusão não foi total, já se sabe que quando o livro é bom o filme fica quase sempre a desejar, até porque os livros como são mais descritivos, contam melhor as histórias, e desengane-se quem ainda acha que ver o filme é a mesma coisa do que ler o livro, nunca é nem poderia ser. O problema é quando a adaptação não conta a mesma história que o livro.

É obvio que, sendo uma adaptação cinematográfica, não pode constar no roteiro adaptado todos os detalhes descritos no texto original, tem que haver menos informação e isso até pode levar à infeliz alteração de personagens, que no livro podem ser maravilhosas e depois passam a ser só mais uma. Mas tudo isso é compreensível. Tudo menos fugir à história original, à linha condutora que permitiu que houvesse história para contar.

São duas horas e tal de filme com personagens pouco reconhecíveis para quem leu o livro, faltam-lhes aqueles pequenos detalhes, mas importantes, que as caracterizam, à exceção do já conhecido Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks. Mesmo assim o que me deixou mesmo desiludida e acho que foi uma falha enorme, porque sabe-se que nem toda a gente que viu o filme também leu o livro, é que após horas a falar de um vírus agressivo que tem como objetivo acabar com uma parte da população mundial, não se fica a saber que vírus é esse, nem o que provoca na população. Será que é extremamente mortífero como o Ébola? Será que provocam alterações físicas nos fetos que poderão impossibilitar a existência de vida? Ou até mesmo infertilidade? Não ficarão a saber, só quem leu o livro.

Basicamente, se não soubesse do que se trata, teria ficado com a ideia de que todo o filme se baseia numa corrida de vários grupos até ao vírus, uns contra a sua libertação e outros a favor. Há tantos outros filmes assim... É lamentável que se tenha perdido uma história tão boa.

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