Época mais triste do ano


Ligamos a televisão ou o rádio e dizem-nos que o Natal é a época mais feliz. Talvez seja para a pequenada, finalmente vão poder abrir todos os presentes que se amontoaram debaixo da Árvore de Natal ao longo do último mês. Lembro-me que era assim comigo, ansiava pelo dia em que me dissessem que já podia rasgar todos aqueles papeis coloridos. Hoje, para mim, é provavelmente a época mais triste do ano.

Infelizmente, o que há uns anos atrás era normal para a sociedade, agora já não o é. É nesta altura que nos deveríamos sentar todos à mesa e distribuir paz e amor. Mas não. Cada vez há mais famílias separadas, pessoas que já formaram uma família e agora já não são nada. É quando começamos a sentir estas faltas na mesa de Natal, que conta cada vez com menos pessoas, que sentimos a dor destas perdas. Mas o Natal era suposto ser da família, certo?

O Natal também deveria ser passado com as pessoas que mais amamos, mas por algum motivo também já não estão connosco, fisicamente. Seja porque morreram ou porque simplesmente saíram das nossas vidas. É aqui que o Natal, para mim, é sem dúvida a pior altura do ano. É durante os próximos dias que pensamos nessas pessoas e também nos Natais anteriores felizes que passámos ao lado delas. O que mais chateia é que foram tão bons que isso nos faz sentir ainda mais saudades, mais tristes porque o que vai já não volta...

Esta deveria ser uma época de amor, amor verdadeiro, mas que se prolongasse o ano inteiro. Poderia e deveria ser a época mais feliz do ano, mas não é. E a culpa, direta ou indiretamente, é nossa.


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