Despenalização da eutanásia


Não entendo os defensores do "não" no que diz respeito à Despenalização da Eutanásia. Compreendo os argumentos de que todos temos o direito de lutar pela vida, mas também compreendo que a morte medicamente assistida possa ser uma forma de "lutar". Eu, pessoalmente, não me consigo imaginar a "pedir" a minha morte, mas também, até hoje, nunca me diagnosticaram nada que viesse com a "sentença assinada", no entanto, já o presenciei. Infelizmente, vi de perto a degradação humana provocada pelas doenças terminais, o que ficou depois de lutas e mais lutas pela vida. Essas pessoas tiveram e têm o direito de lutar pela própria vida, mas também têm o direito de não querer sofrer mais até chegar o fim.

Não é suicídio, não depende apenas da vontade da pessoa. E muito menos pode ser comparado com um homicídio por parte dos profissionais. A decisão da morte medicamente assistida é muito mais restrita do que aquilo que os dirigentes do nosso país dizem para justificar um "não" fácil. Será que eles próprios sabem? Não se limita à decisão da pessoa querer colocar um ponto final à própria vida, mas a meu ver, uma oportunidade para aquelas pessoas que já sofreram e continuam a fazê-lo diariamente.

A proposta que está no Parlamento sobre este assunto não significa ter o poder de matar, nem tão pouco terminar com os cuidados paliativos. Há regras como a avaliação por parte da equipa médica e o acesso apenas aos casos que sugerem o limite da dignidade humana. Significa que cada um, como ser livre, inteligente e consciente, e uma situação clínica, avaliada por uma equipa médica, em que seja reconhecida a impossibilidade de cura e/ou o sofrimento físico e psicológico insustentável, possa pedir o fim da sua vida.

Despenalização da Eutanásia sim, mas salvaguardada por uma Lei clara que permita o bom uso da mesma. Não é justo que para estas pessoas viver mais um dia seja uma obrigação.

2 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo. Juro que não percebo quem voto contra e fica chocado por a eutanásia vir a ser legalizada.
    Eu coloco-me na posição dessas pessoas e percebo perfeitamente que tenham direito a decidir o que fazer quando já não há muito mais a fazer.
    Comecei a seguir :)

    Um beijinho
    https://amaria-do-mar.blogspot.pt

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  2. Concordo plenamente! Como estudante de enfermagem, também já presenciei pessoas com doenças em fase terminal a sofrer de uma forma quase desumana, e custou-me imenso vê-lo. Os dirigentes deste país claramente não presenciaram situações assim, senão pensariam duas vezes antes de dar um "não" fácil.
    Se temos direito a viver também temos que ter direito a morrer de forma digna, caso contrário viver torna-se um dever.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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